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DOZE COISAS QUE ORGULHAM E ENTRISTECEM GARANHUNS
Por Valério Caetano
“Deus dotou esta terra com grandes riquezas naturais, coisa que dinheiro não compra. Nosso clima frio, nossa rica reserva hidromineral e nossas famosas sete colinas são patrimônios de valor incalculável”.
SEIS COISAS QUE ORGULHAM GARANHUNS
1. Garanhuns: a cidade que respira festivais
Garanhuns vem se destacando como sendo a cidade nordestina dos festivais. Garanhuns Jazz Festival, Festival da Música e da Arte, Festival da Jovem Guarda e Festival de Inverno são os eventos responsáveis por esta merecida alcunha. O Festival de Inverno é o mais prestigiado entre eles. Insuperável em beleza, brilho e manifestações culturais, o FIG é conhecido nacionalmente. A Cidade das Flores é o cenário perfeito para o encontro de nativos e turistas em busca de um clima agradável e uma gastronomia adequada às baixas temperaturas do mês de julho.
2. Lula, o filho de Garanhuns
Garanhuns entrou para a história do país por ser a terra natal do primeiro presidente operário do Brasil. E isso não é pouco se levarmos em conta que, este fato levou 500 anos para acontecer. O presidente soube reconhecer essa admiração do povo de Garanhuns por ele e prestigiou a cidade com sua presença em várias ocasiões durante o seu governo. Embora tenhamos o título de “Cidade do presidente”, a sensação que fica é que, Garanhuns não soube aproveitar como deveria os oito anos de governo do seu filho mais ilustre. Com exceção da ampliação da rede de educação superior, pouca coisa foi trazida para a cidade durante os oito anos que o presidente Lula governou o país.
3. Garanhuns: polo de ensino superior no estado
A transformação de Garanhuns em polo de ensino superior no estado é uma realidade. A Universidade de Pernambuco aumentou a oferta de vagas trazendo para cá os cursos de Psicologia e Medicina além de outros. Este último, é em 2010, o curso mais concorrido no vestibular da UPE em todo Pernambuco. Em 2005, instalou-se na cidade a Unidade Acadêmica de Garanhuns da UFRPE oferecendo os cursos de: Agronomia, Zootecnia, Medicina Veterinária e Pedagogia. A AESGA inovou trazendo os cursos de: Direito, Engenharia Civil e Administração Hospitalar além dos já existentes. Todos estes novos cursos, somados aos que já existem nestas três conceituadas universidades, contribuíram e contribuem decisivamente para alavancar cada dia mais o desenvolvimento do município.
4. Grupo Pérola e Lojas Ferreira Costa Quem chega a Garanhuns espera se deparar com flores, frio e neblina, entre outras belezas naturais. Além de tudo isso, o visitante também encontra dois majestosos edifícios que singram o céu do centro da cidade. O Grupo Pérola e a Loja Ferreira Costa são um verdadeiro orgulho para os garanhuenses. Ferreira Costa foi fundada em 1884. No início era um pequeno armazém de ferragens e ferramentas, que depois evoluiria para o mercado de varejo de material de construção. Com a chegada da ferrovia em 1887, o ramo de ferramentas cresceu e prosperou. Hoje o grupo é o maior do norte e nordeste no seguimento de material de construção. O Grupo Pérola atua há 41 anos na cidade. Tendo no amarelo sua cor predominante, a loja é responsável pela geração de mais de 400 empregos diretos. Atualmente o Pérola está expandindo seus negócios para o promissor mercado de óticas e, junto com Ferreira Costa, formam o maior conglomerado comercial do agreste e um dos maiores do estado. O grande mérito destas duas empresas foi o de ter sempre acreditado em Garanhuns e aqui ter crescido e se tornado forte para, só então, alçar outros vôos além das sete colinas.
5. A Avenida Rui Barbosa e seu maravilhoso Relógio de Flores
Esta é uma das mais charmosas avenidas do interior do estado. Foi aberta em 1925 pelo prefeito Euclides Dourado. Ele foi o primeiro a subir a colina Monte Sinai a bordo de um automóvel. A construção da Avenida Rui Barbosa deu início ao povoamento do maior bairro de Garanhuns. Aquele que Euclides Dourado batizou de Heliópolis. Relógio lembra Suíça. Suíça, indubitavelmente, lembra Garanhuns, conhecida em todo Brasil por sua bela paisagem. Aqui, encravado na Avenida Rui Barbosa, temos o único Relógio de Flores do norte e nordeste do país. Este é praticamente o símbolo que identifica Garanhuns nos demais estados e até internacionalmente.
6. O clima
Garanhuns é uma cidade abençoada por Deus e bonita por natureza. Foi construída em cima de uma reserva hidromineral onde fontes de água mineral jorram do solo. A cidade tem um clima típico de regiões frias da Europa, desconstruindo a falsa imagem alardeada no resto do país que, no interior do Nordeste existe apenas seca. Este é o clima de Garanhuns. Atraente, ameno e aconchegante.
SEIS COISAS QUE ENTRISTECEM GARANHUNS
1. A falta de representação na Câmara Federal
Deputado federal é aquele parlamentar que representa o povo e seus anseios. A eles, sua majestade o eleitor concede, através do sufrágio universal, poderes para representá-los. Lamentavelmente a cidade não tem representação na Câmara Federal. Com isso, problemas seculares de Garanhuns vão sendo protelados ou entregues aos cuidados de deputados forasteiros que só vêm ao município em época de eleição.
2. A Falta de representação feminina na Câmara Municipal
Garanhuns é uma das poucas cidades de Pernambuco, senão a única, onde a grande responsável pela fundação do município foi uma mulher. Simoa Gomes, que muitos garanhuenses ainda acham que é um homem, foi a doadora das terras que originou esta bela cidade. Como paradoxo a este fato secular, não temos, há muito tempo, nenhuma mulher na Câmara Municipal. Em época de Dilmas, Marinas e Heloísas, Garanhuns marcha na contramão da história. Em uma cidade fundada por uma mulher, os homens ainda comandam a política.
3. Uma moderna casa de shows abandonada
Tudo foi anunciado como um grandioso investimento e se alardeava, quando de sua construção, que a casa de shows Metroplaza seria uma das maiores do Nordeste. Um orgulho para Garanhuns. O que ninguém imaginava é que, pouco mais de dois anos após sua inauguração, ela entrasse em decadência. A casa de shows que recebeu o Rei Roberto Carlos, hoje é um espectro do que foi no passado. Solitária às margens da PE Deputado José Cardoso da Silva, a Metroplaza tem como companhia apenas o mato e o lixo que a circunda por todos os lados.
4. Falta de indústrias que aumentem o desenvolvimento econômico
Nem só de turismo vive uma cidade. Apesar de potencialmente forte, turisticamente falando, Garanhuns precisa de investimentos permanentes, sólidos e perenes. É sabido que uma cidade se desenvolve economicamente quando se investe no aumento do seu parque industrial. Isso gera empregos diretos e indiretos e, conseqüentemente, impulsiona o comércio. Enquanto Garanhuns não tiver um parque industrial robusto e atraente, assistiremos turistas oriundos de cidades como Campina Grande, Petrolina e Caruaru virem aqui gastar seu dinheiro e ir embora. Isso é bom? É até certo ponto. Os municípios acima citados são fortes industrialmente. Neles, o dinheiro circula o ano inteiro inflado pelo boom industrial. Aqui, o dinheiro captado nos eventos turísticos se esvai com uma rapidez assustadora. É a síndrome do dia seguinte.
5. A morte da Garanheta
Sabemos que o desaparecimento das micaretas é um fenômeno nacional. Atualmente poucas sobrevivem. O Carnatal no RN e o Fortal no CE ganharam uma sobrevida e lutam para não serem extintos. A nossa micareta era referência em eventos deste tipo no país. Grandes nomes passaram pelos trios que desfilavam na Rui Barbosa. Ivete Sangalo, Cláudia Leite, Chiclete com Banana e Asa de Águia eram alguns dos nomes que abrilhantavam o saudoso evento. O diferencial de Garanhuns era proporcionar uma festa barata, tranqüila e que conseguia aglutinar, em uma cidade do interior, os grandes nomes da música baiana. A Garanheta teve sua última edição realizada no ano de 2007.
6. A falta de apoio ao esporte como inclusão social
Por várias vezes, nesta coluna, falamos sobre o esporte e sua capacidade de levar os jovens a melhorias significativas no desempenho escolar, afastando-os dos riscos de drogas e problemas com alcoolismo. Na edição 341, falamos sobre um projeto de inclusão social baseado na prática do esporte saudável. Quatro meses depois, as dificuldades são as mesmas de sempre. Portas fechadas, falsas promessas e projetos engavetados. O professor de Jiu Jitsu Jonas Aquino e Marcos, o grande campeão de atletismo da cidade, ainda reclamam da falta de incentivo ao desenvolvimento de políticas públicas e patrocínios privados no esporte. “O empresariado de Garanhuns ainda é muito tímido quando o assunto é patrocinar o esporte”, disseram eles.
EM BUSCA DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Apesar dos problemas, comuns a grande maioria das cidades brasileiras, a população de Garanhuns tem sabido enfrentar os obstáculos e mazelas na longa marcha para o seu desenvolvimento. Nosso maior desafio é crescer economicamente sem por em risco este imenso patrimônio ambiental do qual Deus dotou esta terra. As grandes riquezas naturais, o clima frio, a rica reserva hidromineral e nossas majestosas sete colinas são coisas que dinheiro não compra. São dádivas de valor incalculável. No epicentro de toda essa riqueza encontra-se o maior tesouro de Garanhuns: seu povo, sua cultura e sua hospitalidade. Bom voto a todos e até a próxima edição.
Valério Caetano é formado em História pela Universidade de Pernambuco email: (valeriocaetano@hotmail.com) blog: http://vcartigosenoticias.blogspot.com/
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Assim como 12 são os números do relógio mais charmoso do Nordeste, 12 também são as coisas que alegram e entristecem Garanhuns |