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quarta-feira, 4 de julho de 2012

Advogado de 'Mução' cogita processar Polícia Federal

"Essa possibilidade não é descartada, mas vamos aguardar com cautela a conclusão do inquérito", afirmou o defensor de radialista preso injustamente na semana passada. Relação de irmãos segue abalada. 

Foto: DivulgaçãoO advogado do humorista e radialista Rodrigo Vieira Emerenciano, famoso no rádio pelas "Pegadinhas do Mução", afirmou na tarde desta terça-feira que ainda não decidiu se vai entrar com ação na Justiça contra a Polícia Federal depois que seu cliente ficou quase dois dias preso injustamente na operação Dirty-Net, que prendeu 32 suspeitos de integrarem uma quadrilha internacional de pedofilia na internet.

"Essa possibilidade não é descartada, mas vamos aguardar com a cautela devida o desenrolar das apurações e a conclusão do inquérito, de forma que esse assunto é para mais adiante", frisou.

De acordo com o defensor, Rodrigo teve um grande apoio por parte do público enquanto ainda era suspeito de envolvimento no esquema de pedofilia e, apesar da prisão, conseguiu se livrar da experiência moralmente ileso. "Ele teve um tratamento muito cordial na medida do possível. Houve uma preocupação salutar por parte dos delegados e da Superintendência do Recife em preservar a imagem dele, comentou Waldir Xavier, ressaltando que o intérprete do personagem Mução retomou as atividades no programa "A Hora do Mução" a todo o vapor.

"A solidariedade do público foi esmagadora e contagiante. As pessoas que convivem com o Rodrigo sabem que ele é uma pessoa reservada, boníssima, decente e que não tem envolvimento com nada. O programa dele rodou ontem e, agora no segundo dia ao vivo, tem sido um sucesso".

No primeiro programa após a passagem pela cadeia, veiculado nessa segunda-feira, o humorista falou a seus ouvintes pela primeira vez em 16 anos como ele mesmo, fora do personagem, e fez um breve agradecimento ao público pelo apoio. Bem-humorado, ele chegou a brincar sobre a sigla PF (de Polícia Federal), dizendo que significava "prato feito". "Com a fome que saí de lá, com certeza era prato feito", satirizou.

Em conversa com a imprensa na manhã desta terça-feira, a irmã do radialista, Renata Vieira, afirmou que Bruno Vieira Emerenciano, o outro irmão que confessou ter utilizado os aparelhos eletrônicos de Rodrigo para acessar sites de conteúdo pedófilo, em momento nenhum armazenou ou transmitiu as imagens com crianças e adolescentes em cenas de sexo. Perguntado sobre o real teor do depoimento dado por Bruno à polícia, o advogado só informou que a confissão casou com outras provas colhidas durante as investigações e não poderia conceder mais detalhes sobre o documento enquanto o inquérito não for concluído.

"O fato é que o Rodrigo não tinha realmente nada a ver com o objeto da apuração, que redundou na operação da Polícia Federal, e que a confissão que o Bruno fez, e que tivemos acesso, foi extremamente detalhista e encontrou harmonia com os elementos que há haviam sido colhidas durante a investigação. Foi preciso que as afirmações dele fossem confrontadas com outros elementos de prova, como as buscas e apreensões dos equipamentos. Isso detectou que o depoimento era verdadeiro", explicou Waldir Xavier.

Sobre o estado da relação dos dois irmãos depois da crise familiar, Xavier comentou que ficou abalado. "Foi um choque para ele [Rodrigo] e realmente foi uma surpresa extremamente desagradável. Ele não esperava que uma pessoa tão próxima fosse utilizar o computador dele para acessar esse tipo de conteúdo. Mas não podemos julgar, por enquanto, o grau e a natureza dos acessos", afirmou.

srzd

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